quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Deixar claro o que é caro

O caro não é aquilo que demanda enormes quantias ou aquilo que você não pode comprar. O caro é aquilo cujo preço ou valor está acima da média.
Quanto ao preço, se um produto custa 20 centavos e está sendo vendido a 40, ele está caro. Não importa se o preço é ínfimo. O que importa é a discrepância entre o preço médio e o preço elevado, resultando, no caso, aumento de 100%; o que ocorre, via de regra, quando o produto é mais desejado.
Em relação ao aumento do valor, pode-se dizer que corresponde ao aumento da importância. Quando eu envio um e-mail para alguém estimado e digo “Caro(a) fulano(a)...”, isso deveria, literalmente, significar que aquela pessoa tem um valor, para mim, acima do valor médio que eu atribuo às pessoas, por exemplo, que eu não conheço. Quanto maior é o valor de algo, mais caro — mais querido — isso nos é.
Na verdade, em ambos os sentidos, o que encarece algo é a importância que conferimos a ele.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

99. O CAMINHO DAS PEDRAS

Mesmo se analisarmos a trajetória das pessoas somente sob o (limitado, porém normalizado) viés econômico, diríamos que cada pessoa, para chegar até aqui, endividou-se. Mas por quê? Pois se, simplesmente, levamos em conta todos os que cuidaram de alguém desde o nascimento até os 14 anos de idade, as quais não receberam remuneração alguma, então podemos constatar a dívida formada.
CÁLCULO DA REMUNERAÇÃO DO SERVIDOR
Num cálculo simples (e mesquinhamente absurdo!), teríamos:
Um cuidador cobra, hoje, por baixo, não menos que 2 salários-mínimos, em jornada de dedicação quase exclusiva, com 4 folgas/mês.  Se uma mãe cuidou de seu filho durante 7 anos, receberia 24 salários-mínimos por ano. 7 anos = 168 salários-mínimos. Salário-mínimo: 350 dólares x 168 = 58,8 mil dólares =~120 mil reais. Correção monetária = entre 168 mil e 185 mil reais.
Isto é, 170 mil = remuneração/pessoa/período (7 anos).
Como o filho não foi cuidado somente por sua mãe, Maria, mas também pelo pai e secundários (tios, avós, professores etc.), temos:
1/3 (pai) + 1/6 (secundários) = ½ do valor de Maria = 85 mil
Assim, 170 + 85 = 255 mil reais.
255 mil reais seria a dívida contraída no período de 7 anos. No segundo período, dos 7 aos 14 anos, ela teria se dedicado de 4 a 2 horas/dia:
3h x 365 = 1095 horas = 46 dias x 7 anos = 322 dias / 30 = 11 meses x 1400 reais = 15.400 + 7.700 (secundários) = 23.100 reais.
Logo, a remuneração seria de 278 mil reais.

CÁLCULO DO CUSTO
Para sustentar o filho, teve-se custo mensal de 1 mil reais.
Em 14 anos, com correção monetária, tem-se aproximadamente 355 mil reais.

CONSIDERAÇÃO FINAL
Sendo assim, cada pessoa, por receber os cuidados necessários para que chegasse até aqui, teria em média uma dívida de não menos que meio milhão de reais, isto é, aproximadamente 641 salários-mínimos.
Entretanto, na verdade, para além de qualquer cifra, há bens impagáveis: carinho, atenção, companheirismo, amizade, respeito... só para citar alguns poucos. A conhecida diferença entre preço e valor.
Em latim, a palavra “cálculo” significa “pedrinha”. Esses cálculos nos mostram que cada um vive este caminho das pedras: não necessariamente a via do sofrimento, mas o encontro com o tangível, com a materialidade. As pedras são a representação do lado material da vida. O cálculo nos liga às pedras, nos faz pôr os pés no chão. Para irmos de fato além do material, é preciso compreendê-lo, ter em conta a energia dispendida por trás de cada cifra, cada conta. No fim, não é o dinheiro, mas a energia-tempo que ele representa.
Portanto, se algum dia eu tenha estufado o peito e soltado a arrogante frase “Não devo nada a ninguém”, ahh... perdoem-me esse absurdo!

sábado, 20 de setembro de 2014

73. FÉRIAS OU PRESENÇA?

No ano, não são somente um ou outro período de férias e o resto de trabalho. Na verdade, todo dia é dia de trabalho e todo dia é dia de férias.
Não espere somente por uma ou outra esmola de tempo durante o ano para, só então, relaxar e entregar-se à tranquilidade. Isso pode ser feito a cada dia, a cada hora, a cada momento... agora.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Diálogo

Você olha no olho do outro e, no silêncio, conversa com o Universo: "Dentro da possibilidade, entrego-me a Vós. Em que e como posso ajudar este seu filho diante de mim? Seja feita a Vossa vontade, sou um mero instrumento". Comunicar-se com o Alto é orar. Mas isso tudo é dito em silêncio, sob a forma de uma sintética e instantânea intenção.

domingo, 2 de junho de 2013

Simbologia corporal: olho e boca

I
Assim como o olho é expressão da alma, a boca é expressão da personalidade. A alma se liga à essência, o olho é estável; a personalidade se liga à aparência, a boca é alterável. No olho, encontramos o que há de profundo; na boca, o que há de superficial. Suas formas são semelhantes, seus conteúdos são discrepantes.
Justamente daí é que provém a explicação da regra de etiqueta aparentemente banal e formal: “Ao conversar, olhe nos olhos”.
                                                                                   your-soul.com

Tal prescrição não somente demonstra respeito para com o outro; mas, sobretudo, contribui com a criação de estados positivos:
1) Menor susceptibilidade a reagir ao que o outro diz.
2) Maior confirmação da essência suprema no outro.

***

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Suprema lembrança

A gratidão em tempo calmo
deve vir antes do apelo em meio à tempestade.

Quando tudo parece bem,
contempla, agradece.

É deste esquecimento de si,
dessa simples pura lembrança do supremo,
que nasce potência,
unindo-se a outras
em perene trabalho:
orientar passos,
suavizar cargas,
elevar capacidades.

Ao mais leve toque da consciência,
assuma-se co-criado

domingo, 31 de março de 2013

Instante de Reverência


Ir para dentro.
Profundo respeito e gratidão
pela Criação.

Não se opor
ao curso invisível e verdadeiro da vida.

Como se sentir muito
senão o justo
diante do Infinito?